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É OFICIAL

Estou me retirando, parando por aqui. Tô exausta, acabadinha da silva, com trabalhos paralelos e também com alguns problemas para resolver. Talvez um dia volte. Ou não. Preciso desse tempo.

Gente, brigadão pelas visitas, pelos comentários e pelo carinho. Não vou esquecer de vocês.

Cilene, Mônica, Hank, Cacau, Pat, Nanda, Rô, Bia, Liliane, Cayo, André, Paula, Clau, Jota, Dapirueba, Vladimir, Rê, Nina, Mah, Normanda, Rô, Sabrina, Chris, Heber, Roger, Lê, Dácio, Mari, Lauren, Cherry: um BEIJO enorme, um abraço beeeeeem apertado e o meu desejo de que coisas maravilhosas aconteçam na vida de todos vocês.
Desculpem se não citei alguém, o cabeção tá a mil.

Foi bom.
*=D

OPS - Em breve, não serei mais assinante do Uol e este endereço deverá ir pelos ares. Vou pedir cancelamento daqui a pouco, mas acho que só daqui a um mês a página sai do ar. Deixo e-mail: allinesilva@pop.com.br .



Escrito por Li às 00h31
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ENTRE NORMAS, CITAÇÕES E NOTAS DE RODAPÉ

A semana foi de posts magros e nenhuma visita aos blogs. E sem TV, sem academia, sem diversão. É, quando se tem uma tese de mestrado pra revisar a vida boa fica pra depois. E o descanso também. Comecei a apelar pros energéticos, já que só cafezinho e água na cara não surtem muito efeito em longo prazo.

Espero terminar o trabalho até o fim da próxima semana e voltar pra cá. Que saudades! Saudades de escrever com tempo, saudades de ler o que pessoas legais estão criando, saudades de bater ponto nos blogs amigos.
Cheia de saudades, lá vou eu. Me aguardem!
Superbeijo e inté mais.
*=)

 



Escrito por Li às 13h27
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OUVI DIZER

Dois rapazes foram advertidos pelo gerente do Bob's da Trajano, aqui na Floripa, por estarem se beijando. Por isso, amanhã, sexta-feira, eles vão promover, na frente do local, o "Beijaço", no qual gays e lésbicas vão se beijar à vontade.

Então que ninguém pense que o Jean ter ganho o BBB5 significa que o preconceito está diminuindo.



Escrito por Li às 09h38
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PRIMEIRA E ÚLTIMA

Depois da transa ela fica puxando assunto. Ele está com sono, acabado após duas horas de movimentação intensa sobre o colchão de molas. Não existe mais força. Nem para fumar um cigarrinho ou perguntar: "Foi bom pra você?".
Mas não adianta fechar os olhos e tentar engatar um cochilo. Ela insiste, faz massagem para criar um clima, convencida de que uma vez só não basta.
E ele? Ele não liga, ou melhor, desliga. Involuntariamente relaxa, e, virando o corpo, solta um estrondoso pum. Ela não se conforma:
- Isso é tudo que você tem pra me dizer?



Escrito por Li às 00h25
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BEM QUE EU TENTEI

Nem sabia que "Waking Life" era dirigido por Richard Linklater, o mesmo que dirigiu "Antes de amanhecer" e "Antes do pôr-do-sol". Quis ver na empolgação, sem maiores informações, até porque a minha opinião e a da crítica especializada nem sempre coincidem.

E aí? O filme valeu a pena? Não sei direto, não consegui passar dos 37 minutos do total de 1h38 do filme. A idéia de filmar a história e depois transformá-la em desenho por uma equipe de animadores até que é bastante criativa. Mas o que dizer das falas? Digo com franqueza que poderiam ser interessantes se eu conseguisse captar as idéias, que passavam diante dos olhos numa velocidade que me fez desistir sem ao menos ter chegado à metade. Talvez um dia eu tente outra vez, pra ter uma opinião concreta, porque em termos de imagem o filme é belíssimo. 

"Waking life" - alguém viu?



Escrito por Li às 00h35
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VIDA DE GENTE GRANDE É FODA
Já dizia o Zozi, meu ex-colega de trabalho

Bons tempos aqueles em que eu estudava de manhã e depois do almoço esperava o filme da Sessão da Tarde ou me mandava de casa. Pé descalço, lá ia eu, correndo pela rua até escurecer. Que preocupação com o amanhã que nada! Era só deitar a cabeça no travesseiro que o dia seguinte acabava vindo.

Se havia alguma obrigação era de fazer os deveres e estar - pelo menos fisicamente - na sala e assistir às aulas de matemática, português, biologia, história e o escambau. Claro, eu também obedecia às regras, não tinha como escapar. Usava uniforme, chamava a professora de senhora e fazia a decoreba básica de datas e nomes complicados. Quebrava a cabeça pra sacar qual era a da matemática e da física e nada. Não era má aluna, não. Em português, geografia e história conseguia tirar dez sem muito esforço. Meu problema era falar além da conta e acabar com a paciência da professora. Quantas vezes levei anotação na caderneta por sentar lá no fundo e ficar conversando baixinho ou mandando bilhetes. Isso não houve bronca que conseguisse mudar.

Era bom porque não precisava fazer contas pra ver se o dinheiro ia dar, nunca tinha que discutir a relação nem me preocupar com métodos anticoncepcionais. Bastava estudar, e eu ainda achava que aquilo era demais. Ora, ora. Mal sabia eu que um dia o pano cairia e o espetáculo precisaria começar. A vida real!

Assim veio o primeiro emprego, e com ele o compromisso. Depois vieram os namoricos de leve e a ansiedade. A faculdade trouxe novas noções de liberdade e responsabilidade, mas ainda tinha um quê da velha escola. No fundo já tinha a exata noção de que não dava mais pra ficar lá. no meio do caminho, a vida toda. Então segui em frente, mesmo que de vez em quando olhasse para trás com nostalgia.

Sim, nostalgia serve pra isso: eu vou lá, visito aquela época, mato as saudades e volto revigorada.  Hum, e como é bom!



Escrito por Li às 15h09
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TINHA QUE SER COMIGO

Estava eu na fila do supermercado ontem, tranqüila e com duas garrafinhas de vinho embaixo do braço, esperando a vez no caixa rápido. Um passinho a mais e percebi que o sujeito na minha frente parecia alguém conhecido. Não é que era mesmo? O cara que estava saindo com uma amiga minha. Um chato de galocha com quem não tenho assunto e não faço questão de ter. Sabe aquele homem que te deixa cismada sem saber por quê? O próprio. Putz, e ele se virou! Perguntou como eu estava, blablablá, o de sempre. Aí veio uma mulher de blusa verde-abacate, colar verde-abacate e brincos verde-abacate (eita!) e depositou no carrinho dele algumas compras. Ué, e essa, quem é?
Ele fez as presentações:
- Esta é minha esposa.
Ãh? Esposa??? Ele havia dito à minha amiga que estava separado e que a mulher era terrível.
E continuou, referindo-se a mim:
- Esta é uma colega nossa.
Colega de quem, cara-pálida? "Nossa"? Ah, tá, quis dar a entender que trabalhávamos juntos... tá bom. Ficou evidente que ele não pretendia dizer onde eu realmente trabalhava. Ou com quem. E a mulher só me olhou, toda desconfiada, como se eu tivesse culpa no cartório. Ei, moça, eu não fiz nadica, viu? Só quero pagar a conta e ir embora logo. Antes que eu desistisse de tudo ele pegou as garrafas de vinho - as minhas! - e colocou-as entre suas compras. "Tá muito pesado." Eu sei muito bem que mulher nenhuma vê com bons olhos as gentilezas do marido para com outros espécimes do sexo feminino, e notei que com aquela ali não foi diferente. Enquanto ele falava do conhecido que comprara uísque por 600 reais ela me media da cabeça aos pés. Ai, Jesus! O que eu faço? Comecei a olhar pros lados e não esticar o assunto. E logo chegou a vez do casal ser atendido e ir embora, pra me deixar feliz, de novo com as garrafas de vinho na mão, a pensar no que iria comer quando chegasse em casa.

Na fila do super não dá para escapar de certas situações...



Escrito por Li às 17h09
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A VIDA É UMA SITUAÇÃO EXCEPCIONAL*

Na última visita à locadora, na sexta-feira, peguei dois DVDs ("Antes do pôr-do-sol" e "Tão longe, tão perto") e entrei na onda do ADOTE-ME, promoção da locadora para se livrar das fitas VHS, comprando "Buffalo 66", filme superdiferente que conta a história de um ex-presidiário que tenta à sua maneira a reintegração à sociedade. Já tinha visto, mas como nunca mais encontrei o título tive que comprar em VHS mesmo. Boa aquisição.

Sem perder tempo, no mesmo dia assisti a "Antes do pôr-do-sol", tão esperada continuação de "Antes do amanhecer", visto quatro vezes. Talvez pela alta expectativa fiquei um pouco frustrada com o filme. Parece que o diálogo entre eles não tinha a mesma espontaneidade de antes. E tudo se passou tão rápido entre Jesse e Celine que não deu para assimilar o baque do reencontro. Pelo fim sem cara de fim deu para perceber que haverá continuação, que vou acompanhar, e sem expectativas.

Passado um dia - que ninguém é de ferro -, aí sim fui conferir "Tão longe, tão perto", por sinal também continuação. Que filme! Bastava uma piscadela pra perder diálogo e se perder de alguma parte da trama. No final restou a mesma sensação de quando vi "Asas do desejo", primeiro filme dessa seqüência: tenho que ver de novo!

Ficaram algumas palavras, nem sei se as mais importantes:

Nós somos os criadores do tempo,
as vítimas do tempo e os
assassinos do tempo.

*Frase retirada de um dos diálogos de "Tão longe, tão perto".



Escrito por Li às 23h53
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A CABRINHA

A vó vai mostrar ao neto a cabrinha do boi-de-mamão que saiu na capa do jornal, dizendo que é um bichinho de verdade, que dança e tal. Por sua vez, a criança olha intrigada, olha mais uma vez e pergunta:
- O que é essa perninha com tênis? - apontando para as pernas do rapaz.
Todos ao redor riem e a vó tem de explicar que na verdade existe um moço embaixo da fantasia de cabra.

É, hoje em dia as crianças não engolem qualquer coisa, não.



Escrito por Li às 23h10
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COISA DE ÚLTIMA HORA

Enigma

envolve-me
beija-me

suga-me
capta-me

devora-me
decifra-me
se és capaz



Escrito por Li às 21h30
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PEGOS DE SURPRESA PELO BARBEIRO

Aquele caldo de cana da última sexta-feira pode não ter me caído muito bem, só que fiquei sabendo disso hoje. Quem viu na televisão deve estar por dentro do assunto: Doença de Chagas em Santa Catarina, transmitida através do caldo de cana. E eu fui tomar um copo médio, sem gelo e sem limão, ou seja, uma porcaria, pra ver se aplacava o calorão. Que arrependimento!

Quatro pessoas morreram até agora e o povo que esteve aqui por estas bandas e tomou caldo de cana deve fazer exame pra ver se está tudo ok. Nesse meio tempo, equipes especializadas na área estão vindo de outros estados para investigar como aconteceu a contaminação e o que pode ser feito a partir disso.

Embora os casos confirmados se concentrem no litoral norte, a muitos quilômetros de Floripa, ainda não se conhece a procedência da cana. Portanto, não dá pra descuidar. Apesar de não sentir nada de anormal já tratei de fazer exame de sangue, como muitos estão fazendo.

Sorte pra nós, tomadores de caldo de cana, que só queriam se refrescar.



Escrito por Li às 23h27
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MANEZÊS

Cada louco com sua mania. Cada povo com sua língua. E a de Floripa será que ainda existe? Me atraquei com o "Dicionário da Ilha", de Fernando Alexandre, para tirar uns verbetes e espalhar na rede.

A
Argolado - Duro, sem grana, em difícil situação financeira.
Atucanado - Aporrinhado, com raiva.

B
Bom de não prestar - Pessoa boa demais.
Bota reparo em tudo - Põe defeito em tudo, pessoa que reclama muito.

C
Cacau - Chuva forte e rápida.
Consumição - Quando uma pessoa está envelhecida, consumida, acabada.
Cornos - Cara, rosto. Ex.: "Dou-te um pau nos cornos."

D
Dijaôje - Ainda agora, hoje mesmo.
Divárde / Dibalde - Estar à toa, sem fazer nada.

E
Esbudegado - Cansado, exausto.
Escambau - Coisa indefinida, etc.
És um monstro - Expressão usada pra dizer que uma pessoa é grande, é a melhor, é invencível.

F
Feiticeira - Rede de pesca com três panos e malhas diferentes.

G
Gastura - Sensação de vazio no estômago.

I
Inticá - Provocar, aporrinhar, chamar por apelido.
Istepô / Istepôri - Expressão usada pra dizer que uma pessoa não é boa coisa, normalmente utilizada de forma carinhosa.

L
Ladino - Pessoa esperta.
Langanho - Coisa mole e viscosa, porcaria. Também pessoa feia.

M
Mandrião - Pessoa preguiçosa, malandra.
Manezinho - Habitante nativo da Ilha de Santa Catarina. Também nome de peixe.
Mofas c'a pomba na balaia!!! - Expressão usada pra dizer que uma pessoa não vai alcançar o seu intento, que vai cansar de esperar.

N
Não te alastra! - Não se espalhe, não ocupe espaço, não folgue!
Necas - Não, nunca.

O
Ó-lhó-lhó!!! - Expressão de admiração.
Ônti-ônti - Antes de ontem.

P
Pipôco - Empurrão, soco, murro.
Povança - Multidão, muita gente, muito povo.

Q
Qués assim ou qués quimbrulhe? - Queres assim ou de outra forma?

R
Roupa velha - Prato feito com sobras de carne, desfiada e frita com ovos e cebola.

S
Se arromba! - Te lasca, te fode!
Si qués, qués, si num qués diz! - Se queres uma coisa diga logo. Expressão usada para pressionar uma pessoa a decidir alguma coisa rapidamente.

T
Tá com boi -  Estar menstruada.
Tanso - Tolo, bobo.
Tás tolo(a)! - Estás bobo, apalermado!

U
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... - Expressão usada pra dizer que duas coisas são diferentes.

V
Vai lhá! - Vai lá!
Vertê água - Mijar, urinar.

X
Xispá - Sair correndo rápido. De "chispa".

Z
Zanzar - Ficar à toa, sem atividade, fazendo nada, caminhando sem destino.



Escrito por Li às 00h32
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QUASE SUMIDA DO MAPA

Não, eu não fui ao show de Lenny Kravitz em Porto Alegre (não seria mal!) nem a passeatas a favor dos direitos do consumidor. Estou "apenas" trabalhando muito. Volto em seguida, ok? Beijos & abraços.
*=)



Escrito por Li às 17h55
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EU FUI!!!

Nunca achei que fosse chegada em brinquedos radicais, muito pelo contrário. Eles me davam justamente vontade de ficar olhando de longe, só por curiosidade. De repente até pela TV, para não correr o risco de querer me aventurar.
Só que não foi bem o que aconteceu no sábado, porque chegou o dia tão esperado de visitar o Beto Carrero World, um parque multitemático em Penha, a 110 km de Floripa. E assim me mandei de van com mãe, namorado, irmãos, cunhadas, afilhado, sobrinhos das cunhadas, mãe de uma delas e, é claro, motorista.

As aventuras do dia:

Big Tower - Foi a primeira que procuramos. No site (www.betocarrero.com.br) há a informação de que é a maior torre em queda livre do mundo, com 100 metros de altura, o que é o mesmo que um prédio de mais de 30 andares. Ai, se eu soubesse! Quando sentei na cadeirinha, fui logo me agarrando ao protetor que se fecha sobre o peito e não me atrevi a olhar pra baixo. O treco parou lá em cima por alguns segundos e fez um CLANC! Eu estava mirando o horizonte e chorando de nervoso nessa hora. Repetia "Ai, meu Deus!" e não tinha resposta lá de cima. Mas nem deu pra pensar muito, pois a seguir eu já estava caindo a 120km/h, gritando desvairadamente, agarrada com todas as forças no protetor e morta de medo. Segundos, tudo isso durou apenas alguns segundos, e agora mal acredito que tive coragem.

Free Fall (ou Torre do Terror) - Achando que o mais amedrontador já tinha passado, escolhemos esse brinquedo. A altura era menor - prédio de 18 andares - e no final acabávamos deitados. Melhor ainda que tinha uma espécie de cabine, ou seja, parecia mais seguro, com apoio pros pés. Pois foi o engano do dia. A subida era mais rápida, e subida rápida é igual a gritos, muitos gritos. Depois houve uma parada de leve pros lamentos e a descida, ainda mais tensa e cheia de adrenalina. Digo com certeza que foi no Free Fall que usei com mais intensidade os pulmões para gritar e saí com as pernas bambas, toda trêmula.

Montanha-russa - Perto das anteriores essa foi moleza. Não senti os loopings e ainda consegui achar graça quando meu boné voou longe. Ok, eu gritei, mais por farra que por medo.

Cine Mademotion - Outra moleza. Gritei, saí com dor de garganta, mas ri um monte. É estranho e divertido ao mesmo tempo ver um filme com simulador de movimentos na cadeira.

Barco Pirata - Dessa vez teve um certo enjôo. O barco funciona como um pêndulo, indo de um lado pro outro, e admito que não relaxei com a altura que ele atingia. Ouvi uma menina do outro lado dizer pras outras olharem pro céu, e tratei de seguir a estratégia. A impressão de que ele ia dar um giro completo me fez manter as mãos firmes na barra de segurança o tempo todo.

Castelo do Terror - O mais legal do dia. Recebemos as instruções da moça na entrada: não correr nem parar e não tocar nos personagens. Meu irmão bateu três vezes na porta com aquela rodela de ferro e entramos enfileirados. Eu era a quinta da fila e me senti numa aventura fantasmagórica dos desenhos do Scooby Doo, com um cenário assustador: pouquíssima luz, sons lúgubres, sangue nas paredes e um corredor que não acabava mais. Não demorou a aparecer o primeiro personagem e começaram os berros e o desespero. Os passos se tornaram mais rápidos e todos se grudaram. Eu nem via direito as criaturas (vampira, maníaco da serra elétrica, a possuída, monstro do laboratório e mestre do altar). Não queria ver, queria agilizar a caminhada do bando e sair. E daí vinha outro "monstro", e mais gritaria, um querendo passar na frente do outro, até alguém lembrar que a recepcionista tinha dito que não podíamos correr. Porém a visão do próximo ser nos fazia empurrar pra frente. Decididamente não dava pra andar com calma quando vinha alguma coisa horrorosa atrás da gente. E o carinha da serra elétrica foi o que nos fez procurar rapidinho a última porta e sair aos berros. Encontramos de novo a luz do dia e os olhares curiosos das pessoas. Ah, faltou uma boa alma pra fotografar nossa saída escandalosa. Amei!

Mesmo com toda a adrenalina eu sobrevivi pra contar a história. Me diverti, me assustei, me encantei, suei, ri, chorei, cansei. E quero voltar um dia para conhecer as outras atrações do parque. Essas aí que enfrentei no sábado serão deixadas de lado. Será?


A pequenina de boné vermelho sou eu!



Escrito por Li às 00h10
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EU SÓ QUERIA COMER UNS BISCOITOS

Fui fazer exame de sangue que a gineco pediu ontem. Como é de costume, saí de casa num mau humor de cão por ter de caminhar com o estômago roncando. Como me manter de pé com a barriga vazia?

Cheguei no lugar e dei de cara com um amontoado de mulheres ao redor do balcão. Seriam quatro ou cinco, e aquilo me fez pensar que demoraria mais ainda pra eu comer. Providencialmente tinha um laboratório grande não muito longe dali onde, na minha imaginação, eu poderia pegar a senha e ser atendida de imediato.

Sim, e que senha. A número 130! (Que tal jogar no bicho?) O lugar estava lotado e não havia outra saída senão esperar sentada, pra não cansar. Me espremi entre uma grávida e um senhor gordinho e abri a página marcada de "Os Frutos Dourados do Sol", de Ray Bradbury. Esse eu recomendo, se alguém conseguir achar num desses sebos da vida. As histórias são imprevisíveis e prendem até o final.

Página vai, página vem, e fui chamada. Assim que passei os dados para a atendente, fui jogada pruma outra, que me encaminhou à sala de espera. Detalhe: também estava cheíssima. E um cagão recém-saído do banheiro ajudou a deixar o ambiente mais "agradável", fazendo o povo se abanar, reclamar e se agitar.

Ah, tudo bem, fiquei lendo e trancando a respiração enquanto esperava a sanguessuga de branco bradar meu nome. E ela chamou muitos minutos depois, quando eu só pensava em comer e ir embora o mais rápido possível. Ou ir embora e comer, tanto faz.

Que braço? Pode pegar qualquer um. Ela escolheu o direito, com um prazer sádico ao ver a veia saltando com o aperto do garrote. Mirou bem, me disse pra respirar fundo e tchun! Meteu a agulha.

Vai, sangue, sai logo. A sanguessuga foi ficando nervosa porque o sangue não saía, me perguntava se estava doendo e se desculpava. Mas minha mente focava apenas o conteúdo da bolsa, meio pacote de biscoito recheado. Vai, sangue, sai. Topei sem hesitação oferecer meu outro braço ao sacrifício supremo de outro furo.

Dali o sangue jorrou, assim como jorraram mil e um pedidos de desculpa da sanguessuga. Seria ela uma aprendiz e eu uma cobaia? Nessa hora eu ficaria feliz de ver a luz do sol escaldante na rua, porém ela me veio com um exame de urina que eu não sabia que tinha que fazer. Ai, só me faltava essa!

Cadê o bebedouro? Me dá água pra ver se a bexiga dá sinal de vida! Tomei um, dois, três, quatro copos e meio sem a mínima vontade. Foi tudo que a sanguessuga permitiu, pois logo estava me levando ao banheiro pra dar as coordenadas. Ok, eu faço isso, depois aquilo e mais aquilo outro. Já tinha aprendido tudo, e ela ainda estava nervosinha da silva, tanto que deixou cair a caneta na privada. Te vira, minha filha, que aí eu não ponho a mão!

Tadinha da sanguessuga! Conseguiu capturar a caneta com dois palitinhos de madeira esterilizados e depois jogou muito álcool em cima, esfregou bem e me presenteou com o sorriso mais amarelo do mundo. Sim, acredito que isso deve acontecer todo dia...

Não enchi o potinho até a marca feita pela caneta que caiu na privada. Saí fugida, procurando o calorão, procurando os biscoitos, a liberdade. Ai, que bom comer depois de 14 horas de jejum forçado!



Escrito por Li às 01h11
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